Comunidades

As Ciências da Aprendizagem são formadas por diversas comunidades menores, organizadas em torno de temas, práticas ou questionamentos específicos. Todas elas, entretanto, compartilham o entendimento de que a aprendizagem é um fenômeno complexo, que vai além dos muros da escola, e que precisa de novos olhares e ferramentas para ser compreendido. Cada grupo tem seus periódicos e conferências específicos, a maioria ainda em inglês.

Os grupos listados abaixo não são "exclusivos" das Ciências da Aprendizagem, mas vêm se aproximando cada vez mais desta comunidade interdisciplinar. Tampouco suas fronteiras são sólidas e objetivas. Isto significa dizer que é possível ver educadores maker interessados em learning analytics ou designers de interação advogando por experiências típicas da pedagogia crítica. Veja nesta página algumas das principais comunidades que compõem as Ciências da Aprendizagem.

Learning Analytics &

Mineração de Dados Educacionais

As áreas de Mineração de Dados Educacionais (do inglês: Education Data Mining) e Learning Analytics (Análises da Aprendizagem em tradução livre) são campos de pesquisa que surgiram por volta de 10 anos atrás  na educação e foram facilitados pelo avanço da inteligência artificial e da capacidade de coletar e gerar grande base de dados de estudantes. Embora não haja uma sobreposição completa, um grande número de pesquisadores destas duas áreas utilizam grandes volumes de dados para avançar teorieas sob a perspectiva das Ciências da Aprendizagem.

Esta comunidade também se dedica a compreender como educadores utilizam dados para tomar decisões pedagógicas e como alunos usam dados para aprender a aprender. Seus métodos incluem o design de painéis de dados interativos, entrevistas, observações e análises quantitativas de grandes volumes de dados.

Pedagogia Crítica

Tanto a Pedagogia Crítica como a Pedagogia Culturalmente Relevante (uma tradução livre de Culturally Relevant Pedagogy) são áreas de pesquisa e prática estabelecidas a partir do Trabalho de Paulo Freire. Nos últimos anos essas temáticas vêm aumentando presença nas publicações e conferências de Ciências da Aprendizagem, trazendo para o centro da discussão aspectos culturais e sociais envolvidos em ensinar e aprender. Esta comunidade também vem debatendo algo fundamental para os dias de hoje: como indivíduos aprendem a viver em sociedade? O que é necessário para que alguém aprenda a participar efetivamente de uma sociedade democrática?

Educação Maker

A comunidade de educação Maker, diferente da Sociedade de Ciências da Aprendizagem, não está organizada através de uma instituição formal. Existem diversas organizações, centros de pesquisa e conferências que reúnem pesquisadores e educadores interessados em estudar a aprendizagem em espaços de fabricação digital, também conhecidos como laboratórios de educação Maker. É nesta comunidade que também se concentram muitos estudos da chamada Aprendizagem Criativa.

 

Em muitos estudos na área de Educação Maker,  pesquisadores lançam mão das teorias e estudos prévios desenvolvidos dentro do campo das Ciências da Aprendizagem. Um exemplo disso são os trabalhos que descrevem como jovens moradores de comunidades vulneráveis no Brasil se apropriam e ressignificam artefatos eletrônicos à sua própria maneira, refletindo os fundamentos da obra de Paulo Freire.

Principais conferências:

Fablearn Conference

Constructionism

Conf. Brasileira de Aprendizagem Criativa

Principais periódicos:

Aprendizagem Conectada

A comunidade de Aprendizagem Conectada ou Connected Learning, em inglês, estuda como crianças e jovens aprendem quando têm possibilidade de se dedicar a temas de interesse pessoal ligados a realizações acadêmicas, sucesso na carreira ou engajamento cívico. O processo de aprendizagem conectada em geral tem também a característica de contar  com o apoio de colegas, pais, educadores ou outros adultos chave no cuidado dos aprendizes. A aprendizagem conectada pode acontecer tanto em espaços formais de aprendizagem, como a escola, quanto informais, como a casa.

Referência externa:

Connected Learning Alliance

Design de Interação

A comunidade de Design de Interação, sob as lentes da educação, combina pesquisa e prática no desenvolvimento e estudo de produtos digitais para aprendizagem.

Esta é uma comunidade muito forte dentro das Ciências da Aprendizagem, sobretudo dentre os pesquisadores que buscam entender como a aprendizagem se dá com recursos digitais.

Exemplos de trabalhos nesta área incluem a criação de plataformas interativas para crianças ou pesquisas sobre como a interação com agentes virtuais pode (ou não) auxiliar no desenvolvimento do aluno.

Aprendizagem Colaborativa

Dentro da comunidade de ciências da aprendizagem existe um campo de pesquisa, o "Computer-supported Collaborative Learning" ou Aprendizagem colaborativa apoiada pelo computador, que se dedica a investigar como as pessoas aprendem e constroem conhecimento interagindo e comunicando através dos meios digitais.

Ancorada nas teorias de aprendizagem desenvolvidas pelo russo Lev Vygotsky, a comunidade de Aprendizagem Colaborativa estuda como a aprendizagem se dá quando interagimos e comunicamos com outros para construir novos conhecimentos. Em tempos de pandemia, como o caso da COVID-19, os conhecimentos acumulados por esta comunidade tornam-se ainda mais relevantes para educadores, famílias, alunos e gestores públicos.

Educação STEM

O termo STEM, do inglês Science, Technology, Engineering and Mathematics, surgiu nos EUA como um campo de pesquisa que estuda ensino, aprendizagem e desenho de políticas públicas nas áreas exatas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. 

 

Apesar de ser amplo um termo amplo e de não existir um grupo específico de Educação STEM, existem comunidades que se formam em torno de uma ou mais áreas e vários dos pesquisadores realizam seus estudos sobre aprendizagem em Ciências, Tecnologia, Engenharia ou Matemática a partir das teorias das Ciências de Aprendizagem e se identificam como pesquisadores desse campo. 

Principais conferências:

NARST

Ciência Cognitiva

A Ciência Cognitiva é um campo interdisciplinar que  estuda a mente e seus processos. O campo  começou a ganhar corpo na primeira metade do século passado, quando pesquisadores e desenvolvedores tentavam compreender os funcionamento da mente humana para projetor os primeiros computadores e mais tarde desenvolver as teorias de inteligência artificial. No entanto, os interesses de pesquisas não se limitam ao entendimento do funcionamento das máquinas e engloba de áreas do conhecimento como psicologia, educação, filosofia, linguística, antropologia e neurociência, além da própria inteligência artificial. 

 

A ciência cognitiva é uma das áreas de conhecimento e pesquisa fundadoras das Ciências da Aprendizagem. Apesar de não se restringir ao campo da educação, vários estudiosos desse campo se dedicam a compreender como o cérebro humano aprende.